5. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS DO ESTUDO: POR UMA NOVA PERSPECTIVA DO CONCEITO
DE AULA
Para
fundamentar as análises e reflexões realizadas para a proposta da
complementação das aulas presenciais, foram utilizados autores como Prado, Dias,
Silva, Palloff e Pratt e Peters. As concepções de tais autores
nortearam as análises e reflexões realizadas acerca da prática, de forma que
foi possível perceber a presença delas nas intenções e nas ações dos agentes
envolvidos.
De
acordo com Prado (2010), a interatividade é o principio básico dos Ambientes
Virtuais de Aprendizagem, desenvolvida através dos espaços neles existentes
como - fóruns, chats, mensagens - que possibilitam o processo de comunicação
entre alunos-alunos, alunos-professor, alunos-suporte e professor-professor. A
autora diz que as atividades que estimulam a autoria do aluno e "o processo
de (re)elaboração de algo que lhe seja significativo possibilitam que este
aluno possa interpretar as informações, articulando-as com seu universo de
representação do conhecimento".
A
interatividade – "sempre presente na vida do homem a partir dos relacionamentos
estabelecidos com os diversos ambientes em que ele está inserido" (DIAS,
2011); a cooperação – como base da interatividade e um dos fenômenos mais
marcantes da Cibercultura (SILVA, 2003) e a autonomia –
que, na sua dimensão pedagógica, entende que "as pessoas não são
mais objetos da condução, influxão, ascendência e coerção educacionais, mas sim
sujeitos de sua própria educação" (PETERS, 2001, p. 95), são consideradas
as grandes dimensões para aprendizagem.
Na
educação online a participação do aluno é ativa na construção de seu próprio
conhecimento, permitindo-o entrar em contato com seus potenciais,
desenvolvê-los e, ao mesmo tempo suprir as dificuldades e deficiências
identificadas. Dessa forma, ele terá que se dedicar e buscar mais, auto gerenciando
o aprendizado, uma vez que, na interatividade, as trocas fazem com que todos
participem e busquem alternativas para um aprendizado mais efetivo. Trabalhando
de forma cooperativa, os alunos são levados à refletir sobre o pensamento dos
outros participantes, respeitando, ajudando, trocando e aceitando ideias.
Palloff e
Pratt (2002, p. 23-25) dizem: "Os
alunos virtuais são, ou podem passar a serem pessoas que pensam criticamente.
Eles sabem que o professor atua como facilitador do processo de aprendizagem
on-line e que, para chegarem à melhor experiência on-line, devem ser eles
próprios responsáveis pelo processo". Os autores acrescentam que "a
incorporação do computador na sala de aula redefiniu a educação presencial e a
própria educação a distância" e que "há espaço para que os alunos
explorem o conteúdo do curso de forma colaborativa, segundo seus
interesses".
Neste
contexto, o professor pode nortear o rumo do trabalho pedagógico através de
momentos de interação, questionamentos, atividades individual ou em grupo,
oportunizando a cada estudante dar significado às informações, transformando-as
em conhecimento.
Inseridos numa sociedade em pleno desenvolvimento tecnológico, nós
educadores devemos nos adequar a tais mudanças e a educação, seja a distância
ou presencial, utilizar as mídias e todo aparato tecnológico do século XXI em
prol das melhorias do processo pedagógico.
6. DIFICULDADES ENCONTRADAS
Como previsto, algumas dificuldades iniciais apareceram.
Entende-se que, por serem frutos de um tipo de sistema de ensino tradicional e
por terem a cultura da presença física do professor para esclarecer dúvidas
encontradas na disciplina, alguns alunos se mostraram inseguros no início do
curso. Fazê-lo entender que, na educação a distância, ele tem que ler,
escrever, fazer exercícios, pois caso contrário, não conseguirá entender os
conteúdos trabalhados, é um dos desafios que o professor terá que vencer ao
decidir trabalhar com essa forma de docência. Esses esclarecimentos precisaram
ser dados aos alunos, inicialmente, temerosos com a nova forma de trabalhar.
7. RESULTADOS ALCANÇADOS
Apesar
de não ser objetivo da experiência avaliar o aluno para efeitos de aprovação,
uma vez que a participação não era obrigatória, era interesse para fins de
pesquisa, avaliar a participação espontânea do aluno, o acompanhamento da
construção coletiva do conhecimento e a eficácia da mediação pedagógica a
distância. Cabe acrescentar que o aluno que não quisesse participar da
experiência, podia optar por realizar as atividades no laboratório, nos
momentos presenciais e realizar a prova bimestral.
Avaliar
cursos em ambientes virtuais de aprendizagem é ainda um assunto que merece ser
melhor analisado pois, uma vez que não estamos mais utilizando formas
tradicionais de construir conhecimentos, como então permanecer utilizando
formas de avaliação e transformar produções qualitativas em notas?
Um
curso a distância é um momento que requer muitas reflexões, pois além da
subjetividade de cada participante do curso, é importante também perceber o
tempo de aprendizagem de cada pessoa que interage no ambiente, considerando as
angústias, as conquistas, até o rompimento do medo ao interagir com a máquina.
O
ambiente Moodle oferece uma ferramenta de estatística que registra a quantidade
de acessos, porém, como em todos os outros ambientes, não registra a qualidade
das intervenções feitas. É necessário, portanto, avaliar se a participação dos
alunos foi capaz de aprofundar discussões a respeito do conteúdo estudado e, se
de fato, houve aprendizagem colaborativa e conhecimento construído.
Nesta experiência, para efeitos de
avaliação qualitativa, foram considerados a participação dos alunos e suas
interações nos fóruns, nos chats, e-mails no ambiente, bem como a apresentação
do blog apresentado como trabalho final do curso. O moodle, através de relatórios
de acesso, permite avaliações
constantes da aprendizagem dos alunos, possibilitando que possam ser revistas
as estratégias didáticas e metodológicas para motivar a aprendizagem no
ambiente virtual.
O uso
dos ambientes de aprendizagem online provocou profundas mudanças nos papéis
tradicionais da professora e dos alunos. Ao aluno designam-se novas atitudes e
habilidades, a responsabilidade pelo seu aprendizado, o planejamento de suas
atividades de aprendizado, a interação com os colegas e com as novas
ferramentas de ensino e aprendizagem. Ao assumir a responsabilidade pela
criação e disponibilização de conteúdos e saberes de forma rica, através de
fóruns, chats, além de recursos como vídeos, imagens, animações e links, o
professor estimula a interação do aluno com os colegas e com as novas
ferramentas de aprendizagem.
O
ensino iniciado na sala de aula de forma presencial, complementado e
aprofundado no ambiente virtual, propicia uma nova relação entre professores e
alunos, aproveitando o melhor dos dois mundos. Santos (2011) destaca que “a
educação presencial beneficia-se, cada vez mais, com o uso de recursos típicos
da educação online” e que esta pode ser complementada com a especificidade, o
calor humano e a riqueza das interações dos encontros presenciais. Silva (2011)
acrescenta que as duas modalidades, “presencial” e “à distância” continuarão a
coexistir, com aulas na escola, complementadas por uma sala virtual com
exercícios e proposições do professor.
As
reflexões dos autores consultados, leva a acreditar que a experiência relatada
está no caminho certo e que a percepção de que, doravante, os docentes e alunos
devem conhecer um pouco mais sobre interatividade e assim se inquietar e ousar
na modificação da comunicação na aprendizagem, na construção do conhecimento,
em suma, no exercício da participação cidadã “(SILVA, 2011).
Todas
as ações desenvolvidas na experiência poderão ser aplicadas a qualquer
disciplina de um curso de graduação, bastando, apenas, que o professor acredite
na educação a distância como complemento de aulas presenciais.
8. PERSPECTIVAS DE
CONTINUIDADE
Após a experiência, é possível
pensar na continuidade e ampliação da prática. A utilização da informática na
educação vem marcando o seu espaço e adquirindo adeptos no cenário atual. Após a
avaliação com indicadores de satisfação de nossos alunos é possível identificar
o quão importante foi o trabalho realizado.
Diante dessa perspectiva é que se
pretende deixar esta proposta de aperfeiçoamento aberta e disponível para todos
os professores do curso de Pedagogia. Os professores, em qualquer curso presencial,
precisam aprender a gerenciar outros espaços e a integrá-los de forma aberta,
equilibrada e inovadora. O espaço é o de uma nova sala de aula, equipada com
recursos tecnológicos e com atividades diferentes, que se integra com a ida ao laboratório
conectado em rede para desenvolver atividades de pesquisa e de domínio
técnico-pedagógico. Estas atividades se ampliam a distância, nos ambientes
virtuais de aprendizagem conectados à Internet e se complementam com espaços e
tempos de experimentação, de conhecimento da realidade, de inserção em ambientes
profissionais e informais.
É fundamental, hoje, planejar e
flexibilizar, no currículo de cada curso, o tempo e as atividades de presença
física em sala de aula e o tempo e as atividades de aprendizagem conectadas, a
distância. Só assim avançaremos de verdade e poderemos falar de qualidade na
educação e de uma nova didática.
REFERÊNCIAS
DIAS, Rosana de Fátima. Ser ou não ser
interativo. Disponível em: http://www.saladeaulainterativa.pro.br/texto_0007.htm.
Acesso em: 20 jul. 2011.
FREIRE, Paulo. Pedagogia
da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 26. ed. São Paulo:
Paz e Terra, 2003.
KENSKI, V. M. Processos de interação e comunicação
mediados pelas tecnologias. In: ROSA, D., SOUZA, V. (orgs.). Didática e práticas de ensino: interfaces com diferentes saberes e lugares
formativos. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
MORAN, José Manuel. Mudanças profundas e urgentes
na educação. Disponível em: http://www.eca.usp.br/prof/moran/links.htm.
Acesso em: 07 ago. 2011.
SILVA, Marco. Sala de aula
interativa: a educação presencial e
a distância em sintonia com a era digital e com a cidadania. Disponível em: http://www.saladeaulainterativa.pro.br/texto_0008.htm.
Acesso em: 06 ago. 2011.
PETERS, O. (2001). Didática do ensino a distância. São
Leopoldo (RS): Unisinos, 2001.
VALENTE, J. A., PRADO, M. E. B. B. & ALMEIDA, M.
E. B. de. Formação de educadores a distância via Internet. São Paulo:
Avercamp, 2003.