ALÉM DA SALA DE
AULA: UMA EXPERIÊNCIA NUM AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM
Ieda Carvalho Sande
Universidade Estácio de Sá
Relato de experiência apresentado no I Seminário Nacional de Tutores da EAD - ANATED
RESUMO
Experiência
conduzida no Curso de Pedagogia da Universidade Estácio de Sá, no Rio de
Janeiro, oferecido no campus Jacarepaguá, durante o desenvolvimento da
disciplina "Informática Aplicada à Educação" com uso de ambiente
virtual de aprendizagem. A tecnologia de informação e comunicação utilizada foi
o ambiente virtual Moodle e suas principais interfaces: o fórum, o chat,
tarefas orientadas individuais e em grupo e a biblioteca virtual. A escolha do
ambiente Moodle se deu em função de propiciar ao professor a vivência de
espaços gratuitos na Web, onde podem ser desenvolvidas, de forma interativa,
atividades pedagógicas, uma vez que ele é disponibilizado livremente para
qualquer professor produzir ou complementar suas aulas.
Palavras-chave:
Informática Aplicada à Educação, ambiente virtual de aprendizagem, tecnologia
da informação e da comunicação.
ABSTRACT
Experiment conducted in the Pedagogy Course at the
University Estácio de Sá in Rio de Janeiro, offered on campus Jacarepagua
during the development of the discipline "Information Technology Applied
to Education" with the use of virtual learning environment. The
information and communication technology used was the virtual environment
Moodle and its main interfaces: forum, chat, individual and group oriented
tasks and virtual library. Moodle environment was chosen to provide the teacher
free web space experience, where educational activities can be developed in an
interactive way, since it is freely available for any teacher to produce or
supplement their lessons.
1. INTRODUÇÃO
A disciplina Informática Aplicada é uma das
disciplinas constante da grade curricular do Curso de Pedagogia tem como
objetivo geral possibilitar a análise teórico-reflexiva sobre os
processos de construção das tecnologias da informação e comunicação, bem como
sua utilização.
Ao iniciar o trabalho de docência
com a disciplina, o professor se depara com um grande desafio: tirar o
caráter instrumental da disciplina, evidenciando que a apropriação dessas
tecnologias se torna mais fácil quando associada a questões específicas e
significativas da prática profissional. Fica claro a necessidade urgente de
buscar formas interessantes de trabalhar e estratégias capazes de provocar o
desejo de mudança.
Como estimular os alunos a buscar novas formas de pensar, de procurar e
de selecionar informações, de construir seu jeito próprio de trabalhar com as
informações recebidas e, num prazo muito curto de apenas um semestre letivo,
construir uma identidade reflexiva voltada para a construção de seu próprio
conhecimento, permitindo-o entrar em contato com seus potenciais,
desenvolvê-los e, ao mesmo tempo, suprir as dificuldades e deficiências
identificadas? Como fazer isso, se, muitas vezes, os alunos apresentam
pouca familiaridade com o uso do computador e nenhuma experiência em
participação de cursos a distância, muitas vezes, mal sabendo ligar o computador? Como
despertar o prazer e as habilidades virtuais, a curiosidade para buscar dados,
trocar informações, com tão pouco tempo de trabalho? Um problema a resolver!
Encontramo-nos
na era do conhecimento, uma combinação de tecnologias convencionais e
avançadas, com métodos que incluem atividades presenciais ou em grupos e
estudos individuais. Para Moran (2011), as formas de
gestão serão, cada vez menos centralizadas e mais flexíveis, as salas de aula
estão escasseando fisicamente e tornando-se funcionais e virtuais. A sociedade
busca sujeitos mais autônomos que saibam contribuir, de forma colaborativa,
para o aprendizado do grupo do qual ele faz parte. É a inteligência coletiva do grupo que se
deseja pôr em funcionamento, a combinação de competências distribuídas entre
seus integrantes, mais do que a genialidade de um só.
Segundo
Moran (op. cit.), as Faculdades de Pedagogia estão defasadas em relação às
situações novas e precisam preparar "gestores e docentes abertos,
orientadores e não meramente informadores e repetidores". É necessário
buscar formas novas de trabalhar, possibilitar o acesso dos alunos à informação
significativa, a participar de forma ativa na construção de seu próprio
conhecimento, entrar em contato com seus potenciais, para que possa
desenvolvê-los e suprir suas dificuldades e deficiências. O professor deve
procurar alternativas pedagógicas que propiciem ênfase na ação discente e na
construção e apropriação do seu conhecimento. Para Almeida (2001), a aprendizagem está
vinculada à possibilidade do aprendiz ter vez, voz e tempo para maturar seu
conhecimento, podendo confrontá-lo com o de seus companheiros e do próprio
professor a quem caberá a complexa tarefa de estimular o processo de aprender
e, particularmente, de levar os alunos a elaborarem visões sintetizadoras que
captem o todo.
A proposta do uso de um ambiente virtual a ser usado como
complementação das aulas presenciais, a princípio, foi vista com um misto de
curiosidade e preocupação por grande parte dos alunos. Afinal, a introdução de
mudanças no trabalho docente não é processo simples. Enfrentar o desconhecido,
rompendo amarras institucionais e pessoais exige abandonar antigos valores,
conviver com receios e dúvidas e, até mesmo, criar mecanismos de defesa que
ajudem a viabilizar as mudanças na prática pedagógica (VILARINHO; SANDE, 2003).
No entanto, como bem afirmou Paulo Freire (1996), “mudar é difícil, mas
possível e urgente” e, entre
o difícil e o possível, devemos conquistar nosso espaço e acreditar naquilo que
propomos fazer.
O desenvolvimento de espaços flexíveis de
ensino-aprendizagem é o grande desafio da educação; o ambiente inovador de uma
sala virtual pode tornar-se um agente de mudanças e transformações das práticas
pedagógicas, formando uma rede colaborativa, instrumentalizando o aluno com
ferramentas que o tornem capaz de ser sujeito de sua formação. A segurança demonstrada pela professora nesse
tipo de trabalho, talvez tenha contribuído positivamente para a aceitação do
trabalho inovador que estava sendo proposto.
A experiência desenvolvida buscou enfocar tais
aspectos, ressaltando a importância e o caráter inovador dessa modalidade de
ensino como alternativa para uma educação de qualidade. Teve como objetivo contribuir para a inclusão
digital dos alunos, apoiar e
acompanhar o grupo no processo de apreensão e construção de conceitos e
conhecimentos, além de analisar e tecer reflexões sobre a forma como a mediação
pedagógica se faz presente num ambiente virtual de aprendizagem, ao promover a reflexão sobre as transformações
provocadas pela evolução da tecnologia na sociedade.
2. O CONTEXTO DO ESTUDO: UM AMBIENTE VIRTUAL COMO SALA DE AULA
A experiência foi conduzida no Curso de Pedagogia da Universidade
Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, oferecido no campus Jacarepaguá, durante o 1º
semestre de 2011, com a disciplina "Informática Aplicada". Apesar de
o trabalho estar sendo desenvolvido desde 2008, somente agora foi sistematizada
uma pesquisa com a observação e análise dos resultados obtidos numa turma do
primeiro semestre de 2011.
O contexto da prática foi o ambiente virtual Moodle, software
livre, gratuito, muito fácil de operar, com diversos recursos para a atuação
colaborativa e individual dos professores e alunos. O moodle potencializa a
aprendizagem colaborativa, apresentando diversos recursos
importantes, dentre eles: chat, fórum, mensagens, workshops , wiki,
dentre outros. Nele o professor prepara suas aulas, exerce a docência, avalia a
aprendizagem, reestrutura seus cursos. Para Tavares (2011), o trabalho
colaborativo é um processo importante para o compartilhamento de um objetivo
comum, e deve romper a lógica de ensino tradicional para uma prática mais
inovadora, promovendo uma relação afetiva com o conhecimento, de forma
reflexiva e mais autônoma.
Na sociedade atual, a utilização de espaços virtuais abre novas oportunidades
no processo de produção do conhecimento e o ambiente Moodle disponibiliza
condições técnicas que potencializam a criação colaborativa em interfaces
síncronas e assíncronas.
A formação do pedagogo, em sintonia com esse contexto, significa
prepará-lo para incluí-lo criticamente no cenário sociotécnico do nosso tempo,
proporcionando-lhe a construção de competências e de autonomia para a
construção de projetos pedagógicos que utilizam as tecnologias digitais como
potencializadoras da docência e da aprendizagem.
Desenvolvido na modalidade presencial, com atividades e interações a
distância, este curso possibilita o engajamento do futuro pedagogo em práticas
capazes de promover e avaliar a aprendizagem, lançando mão de interfaces digitais
(fórum, chat, blog e portfólio). A presença do computador está no cotidiano das
pessoas através de novas práticas comunicacionais (e-mails, listas, weblogs,
jornais e revistas eletrônicas, webcams e chats) e de novos empreendimentos que
juntam diferentes grupos de interesse (cidades digitais, games, software livre,
ciberativismo, arte eletrônica, MP3, etc.).
3. AS INTERFACES UTILIZADAS
Durante todo o curso, a principal ferramenta utilizada foi o Fórum,
espaço de discussão e construção do conhecimento, onde as questões discutidas
enriqueceram a prática pedagógica e provocaram reflexões a respeito das
diversas etapas do trabalho que estava sendo construído. A partir das proposições
da professora, cada aluno ia colocando sua contribuição, dando opiniões e
sugestões para cada item do trabalho. Foram realizadas, também, interações
utilizando fóruns de dúvidas; nesses espaços, as dúvidas e questionamentos eram
colocados e, a partir das respostas, novas aprendizagens eram compartilhadas
com todo o grupo envolvido no curso. Esta forma de comunicação proporcionou aos
alunos desenvolver suas atividades, de forma colaborativa, com bastante
agilidade e correção.
Em
cursos oferecidos através de um ambiente virtual de aprendizado colaborativo, o
fórum pode ser definido como um espaço de discussões em torno de temas
propostos por seus participantes. Neste aspecto, o fórum parece ser o
instrumento mais adequado para o aprofundamento reflexivo dos participantes do
ambiente mencionado, e para a transformação
de informações em conhecimentos. Para Kenski (2002, p. 258), "as múltiplas interações e trocas
comunicativas entre parceiros do ato de aprender possibilitam que estes
conhecimentos sejam permanentemente reconstruídos e reelaborados"
Vale acrescentar que a participação nos fóruns foi orientada no sentido de que, no ambiente
educacional, fosse utilizada para aprofundar os tópicos do curso, de forma
colaborativa, através do diálogo entre os membros do grupo, facilitando, dessa
forma, a organização no espaço compartilhado.
Os fóruns de discussão bem como os
chats e as trocas de mensagens realizados no ambiente Moodle, constituíram-se
em espaços de interações síncronas e assíncronas, permitindo que diferentes
opiniões fossem expressadas demonstrando assim grande riqueza de conhecimentos
e de culturas.
O chat, apesar de apresentar algumas dificuldades de agendamento de data
e horário, teve alguns resultados positivos, ao tirar dúvidas e esclarecer
conceitos. Para a realização de chats, foi utilizado a ferramenta do próprio
ambiente virtual, que oferecia recursos e suporte para a participação síncrona
dos participantes.
4. COMO A ATIVIDADE FOI DESENVOLVIDA
O curso foi dividido em módulos, com diferentes objetivos e metas a
alcançar. Os 4 (quatro) módulos do curso procuraram acompanhar,
progressivamente, a trajetória de aprendizado dos participantes. Assim,
inicialmente, a professora proporcionou duas semanas de "ambientação",
nas quais cada participante praticou o acesso e a navegação pelo ambiente do
curso, relacionando dúvidas e dificuldades, que foram esclarecidas
oportunamente. De maneira ampla, a estratégia pedagógica presente em cada
módulo previa, respectivamente, as seguintes abordagens:
Módulo de Ambientação: com duração de duas semanas, objetivou,
apenas, situar o aluno no ambiente online através de navegação orientada nos
fóruns de integração, criação de login e senha de acesso e leituras prévias de
sensibilização e preparação para a proposta inovadora que estava sendo
apresentada.
Módulo 1: Tecnologia na Sociedade, na Vida e na Escola
- com duração de, aproximadamente, 2 meses, foram desenvolvidos 3 (três)
atividades e 2 (dois) fóruns temáticos, todos precedidos de leituras de textos
e navegação em sites sobre os temas trabalhados. Primeiramente foi realizado um
breve estudo sobre o cenário atual da informática educativa, sendo os alunos
convidados a refletir teoricamente sobre a utilização da informática como
instrumento de auxílio na educação, caracterizando a rapidez e abrangência de
informações da "sociedade da tecnologia", também chamada de
"sociedade do conhecimento" ou ainda "sociedade da
aprendizagem". Em seguida, refletiram sobre a identidade do professor na
atualidade, suas características, preocupações, ideais e expectativas diante
das novas demandas da sociedade atual. Na ordem, uma análise sobre o processo
de aprendizagem levou os alunos a se situarem diante de uma situação inovadora
e refletirem sobre de que forma a prática seria capaz de levar a rever aquilo
que sabem ou acham que sabem ou mesmo aquilo que precisam saber. Após as
primeiras reflexões e estando os alunos mais ambientados com a proposta da
disciplina, foram encaminhados a um estudo sobre o uso das diferentes mídias no
processo educacional. Através de leituras de autores como Valente, Prado e
Almeida (2003) que defendem que "o
uso da tecnologia na escola só terá significado se for pautado em princípios
que privilegiam a construção do conhecimento", e para "a criação de estratégias e
situações de aprendizagem que possam tornar-se significativas para o
aprendiz". Dessa forma, será possível diferenciar informação
de conhecimento, identificar se o aluno aprendeu determinado assunto, se o
professor apenas transmite uma informação ou é capaz de provocar o aluno a
procurar aprofundar essa informação através de uma pesquisa, pois bem sabemos
que a informação é necessária, mas que, por si só, não garante que o aluno
possa construir seu conhecimento.
Módulo 2: Internet, Hipertexto e Hipermídia - com
dois fóruns temáticos e duas atividades individuais, os alunos foram levados a navegar pela Internet e planejar seu
uso em atividades de ensino e aprendizagem, explorando ambientes hipertextuais,
reconhecendo hipertextos como ambientes não lineares de leitura e de produção
textual. Foi trabalhado, com bastante sucesso, a produção de hipertextos
simples, com links para outros textos, para páginas e outros pontos do mesmo
texto. Foram criadas algumas possibilidades de uso de ambientes hipertextuais
em educação, quer com foco em ensino, quer em aprendizagem para aplicação em
situações reais na escola.
Módulo 3: Comunicação Virtual – foi trabalhado
o conceito de que a comunicação virtual é toda a comunicação que se faz usando
um computador, podendo ser utilizado o teclado, o som e a imagem, em tempo real
(on-line) ou off-line (através de mensagens). O desafio de equilibrar a comunicação virtual e real foi um dos pontos
discutidos, abordando as
relações interpessoais, cada vez mais limitadas em virtude das barreiras
estimuladas pelas redes sociais, quando fica claro que os indivíduos estão
interessados em se relacionar apenas com aqueles que possui gostos e hábitos
semelhantes. Também foram discutidas algumas ferramentas de
comunicação e a forma de interagir com elas. Como último desafio foi proposto aos alunos a construção de um blog,
cuja finalidade era a socialização dos textos e atividades construídos durante
o curso. Cada grupo disponibilizou seu blog para que todos pudessem avaliar e
sugerir melhorias, caso fosse necessário. Neste atividade, os alunos além de experimentarem
a utilização da ferramenta, fizeram intervenções, elogios e sugestões para o
desenvolvimento dos trabalhos dos colegas. Dessa forma, os alunos eram
orientados, antes de participar das discussões, a ler os artigos sugeridos nos
blogs, analisando-os criticamente e destacando aspectos positivos e negativos
no texto. Após a postagem de sua reflexão eram orientados a escolher e analisar
a reflexão de um colega, postada no fórum, complementando-a com a sua visão.
Além dos módulos relatados, sempre esteve disponível um espaço para
conversas informais, denominado “Cafezinho Virtual”, um espaço para registro da
trajetória de cada um (Diário de Bordo), a Biblioteca, com todos os textos utilizados
no curso, uma Videoteca, e mais alguns espaços sugeridos pelos alunos.
Como último desafio proposto aos alunos, foi realizado um momento
síncrono com todo o grupo, cuja finalidade era a socialização dos blogs. Cada
aluno apresentou o seu material no fórum acertado e dispôs de alguns minutos
para apresentar aos colegas a sua proposta. Neste desafio, os alunos, além de utilizarem
a ferramenta, tiveram oportunidade de montar uma apresentação no PowerPoint,
além de fazer intervenções, elogios e sugestões para o desenvolvimento dos
trabalhos dos colegas, praticando, dessa forma, a construção da consciência
crítica.
Em decorrência desta atividade e dos belos trabalhos apresentados no
curso, despertou-se o interesse em socializar e divulgar o espaço virtual para
todos os professores do Curso de Pedagogia. Desta forma, pretende-se, no
próximo período letivo, apresentar um projeto que possa contemplar os
professores que demonstrarem interesse pelo trabalho desenvolvido.
5. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS DO ESTUDO: POR UMA NOVA PERSPECTIVA DO CONCEITO
DE AULA
Para
fundamentar as análises e reflexões realizadas para a proposta da
complementação das aulas presenciais, foram utilizados autores como Prado, Dias,
Silva, Palloff e Pratt e Peters. As concepções de tais autores
nortearam as análises e reflexões realizadas acerca da prática, de forma que
foi possível perceber a presença delas nas intenções e nas ações dos agentes
envolvidos.
De
acordo com Prado (2010), a interatividade é o principio básico dos Ambientes
Virtuais de Aprendizagem, desenvolvida através dos espaços neles existentes
como - fóruns, chats, mensagens - que possibilitam o processo de comunicação
entre alunos-alunos, alunos-professor, alunos-suporte e professor-professor. A
autora diz que as atividades que estimulam a autoria do aluno e "o processo
de (re)elaboração de algo que lhe seja significativo possibilitam que este
aluno possa interpretar as informações, articulando-as com seu universo de
representação do conhecimento".
A
interatividade – "sempre presente na vida do homem a partir dos relacionamentos
estabelecidos com os diversos ambientes em que ele está inserido" (DIAS,
2011); a cooperação – como base da interatividade e um dos fenômenos mais
marcantes da Cibercultura (SILVA, 2003) e a autonomia –
que, na sua dimensão pedagógica, entende que "as pessoas não são
mais objetos da condução, influxão, ascendência e coerção educacionais, mas sim
sujeitos de sua própria educação" (PETERS, 2001, p. 95), são consideradas
as grandes dimensões para aprendizagem.
Na
educação online a participação do aluno é ativa na construção de seu próprio
conhecimento, permitindo-o entrar em contato com seus potenciais,
desenvolvê-los e, ao mesmo tempo suprir as dificuldades e deficiências
identificadas. Dessa forma, ele terá que se dedicar e buscar mais, auto gerenciando
o aprendizado, uma vez que, na interatividade, as trocas fazem com que todos
participem e busquem alternativas para um aprendizado mais efetivo. Trabalhando
de forma cooperativa, os alunos são levados à refletir sobre o pensamento dos
outros participantes, respeitando, ajudando, trocando e aceitando ideias.
Palloff e
Pratt (2002, p. 23-25) dizem: "Os
alunos virtuais são, ou podem passar a serem pessoas que pensam criticamente.
Eles sabem que o professor atua como facilitador do processo de aprendizagem
on-line e que, para chegarem à melhor experiência on-line, devem ser eles
próprios responsáveis pelo processo". Os autores acrescentam que "a
incorporação do computador na sala de aula redefiniu a educação presencial e a
própria educação a distância" e que "há espaço para que os alunos
explorem o conteúdo do curso de forma colaborativa, segundo seus
interesses".
Neste
contexto, o professor pode nortear o rumo do trabalho pedagógico através de
momentos de interação, questionamentos, atividades individual ou em grupo,
oportunizando a cada estudante dar significado às informações, transformando-as
em conhecimento.
Inseridos numa sociedade em pleno desenvolvimento tecnológico, nós
educadores devemos nos adequar a tais mudanças e a educação, seja a distância
ou presencial, utilizar as mídias e todo aparato tecnológico do século XXI em
prol das melhorias do processo pedagógico.
6. DIFICULDADES ENCONTRADAS
Como previsto, algumas dificuldades iniciais apareceram.
Entende-se que, por serem frutos de um tipo de sistema de ensino tradicional e
por terem a cultura da presença física do professor para esclarecer dúvidas
encontradas na disciplina, alguns alunos se mostraram inseguros no início do
curso. Fazê-lo entender que, na educação a distância, ele tem que ler,
escrever, fazer exercícios, pois caso contrário, não conseguirá entender os
conteúdos trabalhados, é um dos desafios que o professor terá que vencer ao
decidir trabalhar com essa forma de docência. Esses esclarecimentos precisaram
ser dados aos alunos, inicialmente, temerosos com a nova forma de trabalhar.
7. RESULTADOS ALCANÇADOS
Apesar
de não ser objetivo da experiência avaliar o aluno para efeitos de aprovação,
uma vez que a participação não era obrigatória, era interesse para fins de
pesquisa, avaliar a participação espontânea do aluno, o acompanhamento da
construção coletiva do conhecimento e a eficácia da mediação pedagógica a
distância. Cabe acrescentar que o aluno que não quisesse participar da
experiência, podia optar por realizar as atividades no laboratório, nos
momentos presenciais e realizar a prova bimestral.
Avaliar
cursos em ambientes virtuais de aprendizagem é ainda um assunto que merece ser
melhor analisado pois, uma vez que não estamos mais utilizando formas
tradicionais de construir conhecimentos, como então permanecer utilizando
formas de avaliação e transformar produções qualitativas em notas?
Um
curso a distância é um momento que requer muitas reflexões, pois além da
subjetividade de cada participante do curso, é importante também perceber o
tempo de aprendizagem de cada pessoa que interage no ambiente, considerando as
angústias, as conquistas, até o rompimento do medo ao interagir com a máquina.
O
ambiente Moodle oferece uma ferramenta de estatística que registra a quantidade
de acessos, porém, como em todos os outros ambientes, não registra a qualidade
das intervenções feitas. É necessário, portanto, avaliar se a participação dos
alunos foi capaz de aprofundar discussões a respeito do conteúdo estudado e, se
de fato, houve aprendizagem colaborativa e conhecimento construído.
Nesta experiência, para efeitos de
avaliação qualitativa, foram considerados a participação dos alunos e suas
interações nos fóruns, nos chats, e-mails no ambiente, bem como a apresentação
do blog apresentado como trabalho final do curso. O moodle, através de relatórios
de acesso, permite avaliações
constantes da aprendizagem dos alunos, possibilitando que possam ser revistas
as estratégias didáticas e metodológicas para motivar a aprendizagem no
ambiente virtual.
O uso
dos ambientes de aprendizagem online provocou profundas mudanças nos papéis
tradicionais da professora e dos alunos. Ao aluno designam-se novas atitudes e
habilidades, a responsabilidade pelo seu aprendizado, o planejamento de suas
atividades de aprendizado, a interação com os colegas e com as novas
ferramentas de ensino e aprendizagem. Ao assumir a responsabilidade pela
criação e disponibilização de conteúdos e saberes de forma rica, através de
fóruns, chats, além de recursos como vídeos, imagens, animações e links, o
professor estimula a interação do aluno com os colegas e com as novas
ferramentas de aprendizagem.
O
ensino iniciado na sala de aula de forma presencial, complementado e
aprofundado no ambiente virtual, propicia uma nova relação entre professores e
alunos, aproveitando o melhor dos dois mundos. Santos (2011) destaca que “a
educação presencial beneficia-se, cada vez mais, com o uso de recursos típicos
da educação online” e que esta pode ser complementada com a especificidade, o
calor humano e a riqueza das interações dos encontros presenciais. Silva (2011)
acrescenta que as duas modalidades, “presencial” e “à distância” continuarão a
coexistir, com aulas na escola, complementadas por uma sala virtual com
exercícios e proposições do professor.
As
reflexões dos autores consultados, leva a acreditar que a experiência relatada
está no caminho certo e que a percepção de que, doravante, os docentes e alunos
devem conhecer um pouco mais sobre interatividade e assim se inquietar e ousar
na modificação da comunicação na aprendizagem, na construção do conhecimento,
em suma, no exercício da participação cidadã “(SILVA, 2011).
Todas
as ações desenvolvidas na experiência poderão ser aplicadas a qualquer
disciplina de um curso de graduação, bastando, apenas, que o professor acredite
na educação a distância como complemento de aulas presenciais.
8. PERSPECTIVAS DE
CONTINUIDADE
Após a experiência, é possível
pensar na continuidade e ampliação da prática. A utilização da informática na
educação vem marcando o seu espaço e adquirindo adeptos no cenário atual. Após a
avaliação com indicadores de satisfação de nossos alunos é possível identificar
o quão importante foi o trabalho realizado.
Diante dessa perspectiva é que se
pretende deixar esta proposta de aperfeiçoamento aberta e disponível para todos
os professores do curso de Pedagogia. Os professores, em qualquer curso presencial,
precisam aprender a gerenciar outros espaços e a integrá-los de forma aberta,
equilibrada e inovadora. O espaço é o de uma nova sala de aula, equipada com
recursos tecnológicos e com atividades diferentes, que se integra com a ida ao laboratório
conectado em rede para desenvolver atividades de pesquisa e de domínio
técnico-pedagógico. Estas atividades se ampliam a distância, nos ambientes
virtuais de aprendizagem conectados à Internet e se complementam com espaços e
tempos de experimentação, de conhecimento da realidade, de inserção em ambientes
profissionais e informais.
É fundamental, hoje, planejar e
flexibilizar, no currículo de cada curso, o tempo e as atividades de presença
física em sala de aula e o tempo e as atividades de aprendizagem conectadas, a
distância. Só assim avançaremos de verdade e poderemos falar de qualidade na
educação e de uma nova didática.
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